A Farsa Armamentista de Eduardo Paes: Uma Guarda Para Chamar de Sua.


O Rio de Janeiro, cidade de belezas históricas e tragédias recorrentes, vive mais um capítulo da sua longa saga de improvisos administrativos e soluções que parecem saídas mais de roteiros eleitoreiros do que de políticas públicas sérias. O novo projeto do prefeito Eduardo Paes, que visa criar uma força de segurança municipal armada e paralela à Guarda Municipal já existente, é mais do que controverso: é um disparate institucional, um delírio político e uma cortina de fumaça sobre uma cidade em frangalhos.

Paes, que já é reincidente em transformar o orçamento público em vitrine de obras inacabadas e empréstimos sem transparência, agora deseja vestir o populismo com farda. A ideia de formar uma nova corporação armada — com salários altíssimos, estrutura própria e autonomia operacional — não apenas ignora a legislação vigente, como sabota a inteligência do contribuinte carioca. A Guarda Municipal do Rio, desarmada por decisão política, já poderia atuar de forma ostensiva e integrada, bastaria vontade de governar com responsabilidade.

Enquanto cidades brasileiras modernizam suas guardas com armamento regulamentado, treinamento tático, tecnologia embarcada e integração com as polícias estaduais, o prefeito do Rio escolhe criar do zero uma “nova polícia”, ignorando inclusive experiências internacionais onde polícias locais são fiscalizadas por conselhos independentes, câmeras corporais, auditorias externas e controle de gastos. No Rio, em vez disso, se propõe mais cabide de emprego, mais orçamento comprometido e zero controle.

A escolha pelo caos institucional é emblemática do estilo Paes: pirotécnico na superfície, negligente na profundidade. Com uma cidade que amarga buracos, postes apagados, transporte precário e serviços básicos deteriorados, o prefeito mira em manchetes e esquece do morador. A Força Municipal — com salários que beiram os R$ 13 mil mensais — seria bancada com dinheiro que o Rio não tem, sustentado por uma sequência de empréstimos bilionários que comprometem as próximas duas décadas de orçamento.

Não custa lembrar: a dívida da cidade está nas alturas, e parte expressiva disso é fruto de sucessivas operações de crédito autorizadas por uma base legislativa complacente, quase sempre sob a justificativa de “revitalizar” algo — seja o Centro, seja a Zona Norte, seja a imagem do prefeito às vésperas de eleições. Dinheiro esse que não chega onde mais se precisa: saúde pública, educação básica, infraestrutura urbana e requalificação social das comunidades dominadas pelo tráfico.

Por que, então, só agora se fala em segurança municipal armada? Por que não se fez antes, quando o Supremo Tribunal Federal já havia reconhecido o poder de policiamento das guardas municipais? A resposta é simples: Paes nunca esteve preocupado com soluções duradouras, mas sim com o espetáculo. Esta nova força não é um projeto de segurança — é um projeto de marketing.

Além disso, pairam sobre Paes acusações antigas e novas: do favorecimento indevido a empresas de transporte à suspeita de improbidade administrativa em licitações urbanísticas. Seus bens já foram bloqueados, seus aliados enfrentam processos e, ainda assim, o prefeito segue impune no palco político carioca, amparado por alianças de ocasião e pela amnésia de parte do eleitorado.

O carioca, no entanto, não pode se dar ao luxo de esquecer. A cidade, combalida pela violência, não precisa de uma nova polícia municipal, mas sim de gestão. Não precisa de mais um uniforme, mas de coordenação entre forças já existentes. Não precisa de discursos em tribunas, mas de soluções nas ruas. O Rio precisa ser governado — não encenado.

A proposta da nova força de segurança é, portanto, a síntese do que é Eduardo Paes como gestor: um prefeito que prefere inventar pretextos a enfrentar problemas, que terceiriza a culpa, mas personaliza os méritos, e que trata a máquina pública como um laboratório de experimentos eleitoreiros. O Rio, uma cidade que sangra dia após dia nas vielas e nos túneis, merece mais que promessas com coldre e anúncios com algemas.

A Força Municipal é fraca em legitimidade, desastrada em planejamento e temerária em impacto. A verdadeira força que o Rio precisa é a de um governo que respeite a lei, invista com inteligência, e finalmente rompa com a tradição de administrar pela aparência. Eduardo Paes, mais uma vez, escolhe a encenação. E o povo do Rio, mais uma vez, paga o ingresso caro por esse teatro trágico.

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