Israel e Hamas: História, Terror e o Cerco à Democracia no Oriente Médio.

A fundação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, não foi apenas um marco político. Foi o renascimento de um povo em sua terra ancestral, após dois milênios de exílio, perseguições, pogroms e o Holocausto — o maior crime contra os judeus na história moderna. A Resolução 181 da ONU, aprovada em 29 de novembro de 1947, havia proposto a divisão do então Mandato Britânico da Palestina em dois Estados, um judeu e um árabe. Os judeus aceitaram a partilha. Os árabes a rejeitaram de imediato.
Logo após a declaração de independência de Israel por David Ben-Gurion, cinco países árabes — Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque — atacaram o recém-criado Estado com o objetivo de destruí-lo. Israel, pequeno, mal armado e ainda em construção, sobreviveu. Venceram a Guerra de Independência ao custo de milhares de vidas e construíram, sob bloqueio e ameaças constantes, um país democrático, plural e avançado, enquanto seus vizinhos mergulhavam em regimes autoritários e teocráticos.
Nas décadas seguintes, Israel seria obrigado a defender sua existência inúmeras vezes: na Guerra do Suez (1956), na Guerra dos Seis Dias (1967), na Guerra do Yom Kippur (1973) e em dois levantes palestinos conhecidos como intifadas. Ainda assim, sobreviveu e prosperou. Absorveu judeus de mais de 100 países — desde refugiados do Holocausto até expulsos de países árabes — e manteve uma democracia sólida, com eleições livres, Suprema Corte independente, imprensa vibrante e liberdade religiosa garantida a todas as fés.
Enquanto isso, na Faixa de Gaza, emergia uma força obscura que rejeitaria qualquer convivência pacífica: o Hamas.
Fundado em 14 de dezembro de 1987, durante a Primeira Intifada, o Hamas — sigla em árabe para “Movimento de Resistência Islâmica” — nasceu como um braço da Irmandade Muçulmana, com a missão declarada de destruir Israel e estabelecer um Estado islâmico em seu lugar. Seu fundador, Sheikh Ahmed Yassin, era um clérigo que combinava o discurso religioso fundamentalista com a ação armada violenta. Entre seus fundadores e líderes históricos também estão Abdel Aziz al-Rantisi, Mahmoud al-Zahar e, mais recentemente, Ismail Haniyeh e Yahya Sinwar.
O estatuto original do Hamas, publicado em 1988, é explícito: “Israel existirá e continuará a existir até que o Islã o apague, como apagou outros antes dele”. O grupo não reivindica fronteiras, nem negociações — apenas destruição. Ao longo das décadas, o Hamas promoveu atentados suicidas, sequestros de civis, ataques com foguetes contra bairros residenciais israelenses e usou sistematicamente escudos humanos: crianças, hospitais e mesquitas como depósitos de armas. Seus túneis de ataque partem de escolas e casas. Seus arsenais são escondidos em creches. Seus líderes operam de bunkers sob bairros densamente povoados.
Apesar disso, em muitos círculos ocidentais — especialmente em universidades, ONGs, grupos progressistas e organismos multilaterais — o Hamas é tratado como um movimento legítimo de resistência. Uma contradição tão grotesca quanto perigosa.
Como justificar apoio ou simpatia a um grupo que enforca homossexuais, subjuga mulheres, mata opositores políticos e celebra o assassinato de civis judeus? Como racionalizar a violência genocida como “resistência” quando ela visa diretamente crianças, mães, idosos, e não soldados? A realidade é que muitos no Ocidente perderam a capacidade de distinguir o bem do mal, ou preferem ignorar o mal quando ele se disfarça com slogans anticolonialistas.
O caso do massacre de 7 de outubro de 2023 escancarou essa falência moral. Mais de 1.200 civis israelenses foram mortos em um único dia. Os vídeos mostravam mulheres estupradas em público, crianças degoladas, famílias queimadas vivas. Foi o pior massacre de judeus desde o Holocausto. Ainda assim, nas ruas de Londres, Nova York e Paris, multidões marcharam com bandeiras do Hamas e cartazes com “Do Rio ao Mar, a Palestina será livre” — um eufemismo para a destruição de Israel.
Israel vive cercado por grupos armados financiados pelo Irã: Hezbollah no Líbano, milícias xiitas na Síria e no Iraque, os Houthis no Iêmen. Gaza tornou-se um enclave terrorista governado pelo Hamas desde 2007, após um golpe sangrento que expulsou a Autoridade Palestina. Ao sul, o Egito mantém sua fronteira com Gaza fechada, mas é Israel quem é acusado de “bloqueio”. Ao norte, o Hezbollah estoca mais de 150 mil mísseis prontos para atacar. Em Teerã, líderes prometem “apagar Tel Aviv” e desenvolvem armas nucleares com esse propósito.
E mesmo diante desse cenário de cerco real, militar e ideológico, é Israel quem precisa se justificar por existir, por defender-se, por proteger seus filhos. A exigência de “proporcionalidade” se tornou uma farsa moral — como se uma democracia sob ataque precisasse igualar sua resposta à brutalidade dos agressores.
Israel é a única democracia plena do Oriente Médio. Em nenhum outro país da região uma mulher pode ser primeira-ministra, um árabe pode ser membro do Parlamento, ou um cristão pode construir igrejas livremente. Israel tem drusos, beduínos e circassianos nas Forças Armadas. Tel Aviv é um dos maiores centros de direitos LGBTQ+ do mundo. Haifa abriga sinagogas, igrejas e mesquitas lado a lado.
Enquanto isso, na Faixa de Gaza, jornalistas são censurados, opositores políticos são executados sem julgamento, e o povo vive sob um regime que explora sua miséria para manter viva a narrativa do vitimismo eterno.
Defender Israel não é fechar os olhos para suas falhas. Todo país democrático as tem. Mas é reconhecer que, em um mar de ditaduras e tiranias, existe uma ilha de liberdade, ciência, diversidade e vida — que sobrevive apesar do cerco, do ódio e do abandono seletivo da comunidade internacional.
Israel está sozinho. Mas está de pé. E continua sendo, apesar de tudo, o farol da civilização em uma região obscurecida por décadas de tirania, fanatismo e sangue.
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